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Holanda 4 x 0 Argentina |
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26 de junho de 1974 - Parkstation, Gelsenkirchen
A chuva torrencial que caiu no
segundo tempo foi um dos personagens do jogo contra a boa equipe sul-americana,
considerada por
Cruyff
a favorita caso o Mundial fosse disputado na América do Sul. A tranquilidade de
aos 11 minutos abrirem o marcador através de Cruyff, infiltrando-se na área,
driblando o goleiro Carnevali e chutando para a meta vazia após receber passe
perfeito de Van Hanegen, permitiu mais uma vez a administração laranja da
partida. Apesar de perderem várias chances os laranjas chegam ao segundo gol
através de Krol, num forte e rasteiro chute, aproveitando um rebote do bom
goleiro argentino Daniel Carnevali, que na ocasião do Mundial atuava pelo "Las
Palmas" da Espanha.
Aliás, essa equipe argentina fora totalmente renovada para a Copa seguinte, na qual se sagraria pela primeira vez campeã mundial. Apenas o meia-atacante Mario Kempes, então do Rosario Central, que substituiu a Houseman nesta partida, firmou-se merecidamente como titular na Argentina de 1978, cumprindo um papel fundamental.
Voltando. Já no segundo tempo, quando começa a cair a chuva torrencial, aos 28 minutos, Cruyff, com sua incrível visão de jogo, centra longo da esquerda para Rep que cabeceia na corrida e faz o terceiro gol.
Nos descontos, Van Hanegen tabela con Jansen, recebe de volta e chuta à queima-roupa e o goleiro argentino defende e Cruyff aproveita o longo rebote e chuta da ponta esquerda para por números definitivos no placar.
Mais elogios à Holanda, desta vez por parte do técnico Cap, da Argentina: "A Holanda é um rolo compressor"; jornais argentinos: "Arrasaram-nos"; "A Holanda é uma máquina perfeita."Alguns jornalistas se referiram aos craques argentinos como fantasmas arrastando-se sob as pancadas de água. Cruyff as varava como um raio, uma entidade das águas.

HOLANDA: Jongbloed, Suurbier(Israel), Haan, Rijsbergen e Krol; Jansen, Van Hanegen e Neeskens: Rep, Cruyff e Rensenbrink.
Técnico: Rinus Michels
ARGENTINA: Carnevali, Wolf (Glaría), Perfumo, Heredia, Sá, Valbuena, Telch, Squeo, Ayala, Yazalde e Houseman (Kempes).
Técnico: Vladislao Cap
Cartões amarelos: Neeskens, Suurbier e Perfumo
JUIZ: Davidson (Escócia)
Obs: Já nessa época a Argentina começava a importar alguns de seus craques para outros países. Só nesta equipe que enfrentou a Holanda, quase metade da seleção jogava em clubes estrangeiros:
Daniel Carnevali - goleiro - Las Palmas (Espanha)
Ramon Heredia - zagueiro -
Atlético de Madrid (Espanha)
Roberto Perfumo - zagueiro - Cruzeiro (Brasil)
Ruben Ayala - atacante - Atlético de Madrid (Espanha)
Hector Yazalde - atacante - Sporting de Lisboa (Portugal)
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Holanda 2 x 0 Alemanha Oriental |
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30 de junho de 1974 - Parkstation, Gelsenkirchen
A quinta
partida disputada pela Holanda nessa Copa, outra jogada também debaixo de chuva, não foi nada fácil para os laranjas. A
Alemanha Oriental mostrou-se retrancada
sem
a preocupação de atacar e somente de se defender. Estava difícil para o
carrossel girar, e seus motores pareciam um pouco travados com a tensão da
partida, ainda assim criaram algumas oportunidades, uma das quais, aos 8
minutos do primeiro tempo foi convertida em gol através de um chute de Neeskens
após várias rebatidas alemãs - uma delas salva na linha do gol - numa jogada originada de um córner batido por Johnny Rep.
O esquema defensivo dos alemães se desestruturou um pouco após o gol de Neeskens,
e abriram sua defesa. Os holandeses ficaram menos tensos então Rensenbrink amplia o marcador. Krol avançou
pela lateral esquerda, jogou com Neeskens e Jansen que centrou para a área onde
estava Rensenbrink que arrematou com êxito da meia-lua adversária aos 14 minutos do segundo tempo.
Definitivamente a Holanda tomava as rédeas da partida, apesar de que a defesa
alemã-oriental se mostrava mais intransponível do que o próprio Muro de Berlim.
Apesar de não ter sido uma grande partida para os holandeses, a vitória por 2 a
0 permitiu que confrontassem no próximo jogo os tricampeões mundiais de futebol.
HOLANDA: Jongbloed, Suurbier, Haan, Rijsbergen e Krol; Jansen, Van Hanegen e Neeskens: Rep, Cruyff e Rensenbrink.
Técnico: Rinus Michels
ALEMANHA ORIENTAL: Croy, Kitsche, Weise, Branchs, Burbjuweit, Lauck(Kreische), Sparwasser,
Schnupasse, Hoffman, Lowe(Ducke), Pommerenke.
Técnico:
Georg Buschner
JUIZ: Rudolf Scheurer (Suíça)
*Derrotada
em duas guerras mundiais, a nação
alemã
foi dividida
em 1961, por 29 anos,
em Alemanha Ocidental (República Federal da Alemanha, de regime capitalista) e
Alemanha Oriental
(República Democrática Alemã, de regime socialista), e entre as duas havia
o "Muro
de Berlim" construído em 13 de Agosto de 1961.
Esta página começou a ser
idealizada em 2005, 15 anos após a destruição total do Muro, que começou a ser
derrubado na noite de 9 de Novembro de 1989, e reunificação definitiva das
Alemanhas no dia 3 de Outubro de 1990.
A bandeira da Alemanha Oriental
diferenciava da Ocidental contendo um símbolo formado por um martelo
(simbolizando os operários) e um compasso (simbolizando os intelectuais) dentro
de uma coroa de espigas de trigo (simbolizando os campesinos).
O CONFRONTO COM OS TRICAMPEÕES
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Holanda 2 x 0 Brasil |
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3 de julho de 1974 - Westfalenstadiom, Dortmund
Uma partida marcada pelo
nervosismo de ambas as partes. A Holanda, que não se encontrara taticamente nos
primeiros minutos de
jogo
pelo fato de enfrentar os tradicionais tricampeões mundiais; O Brasil, que
decepcionantemente apelou para a violência fugindo completamente das suas
características habituais, querendo disputar a final da Copa a qualquer custo.
Seguramente a partida na qual os brasileiros foram mais violentos em todas as
histórias das Copas do Mundo.
Fazia frio em Dortmund, com vento e chuva e média de 16 graus de temperatura.
Mas em pouco tempo, dentro das quatro linhas, essa temperatura triplicaria.
O curriculum da seleção brasileira, que ainda contava com alguns nomes do grande
time tricampeão em 1970, intimidava os holandeses a princípio. Mas, como citou
Cruyff em seu livro sobre a Copa de 1974 "Futebol Total" : "Depois de meia
hora de dificuldades, despojados já de qualquer temor, sacudindo o complexo de
estar à frente dos invencíveis, perdemos todo o respeito por eles e pelo que sem
dúvida são e significam na história do futebol".
Os brasileiros apelam. O capitão Marinho Peres barra Jansen rispidamente,
Rivelino provoca Rep, Valdomiro atinge deslealmente
Neeskens
com um pontapé por trás, Marinho Chagas passa o jogo inteiro intimidando Cruyff
como disse anos atrás, que fez tudo para ser expulso junto com o capitão
holandês e que nada adiantava, "o homem era frio".
Marinho Chagas de novo revida uma entrada de Suurbier, o lateral direito Zé Maria faz falta pra vermelho em Rensenbrink, Marinho Peres soca Neeskens - esse lance, nas costas do juiz.
Se você tiver a oportunidade de ver o vídeo desse confronto concordará comigo que jamais, em toda sua trajetória, o Brasil mereceu tanto perder uma partida, tendo em vista a violência desnecessária que nossos jogadores cometeram junto aos holandeses. Estes até que deram alguns trocos, mas estavam mesmo preocupados em jogar futebol e ir para a finalíssima com a Alemanha Ocidental, que vencia a Polônia por 1 a 0 num jogo paralelo, e também aguerrido.
As tentativas de ataque
brasileiras eram desorganizadas pois Jairzinho e Paulo César, O Caju, perderam a
chance de cada um fazer um gol no primeiro tempo, e o goleiro brasileiro Emerson
Leão, do Palmeiras, que hoje é técnico, evitava como podia o pior.
Apesar de ter sido um excelente goleiro na época, Leão não podia trabalhar
sozinho. Neeskens, aos 6 minutos do segundo tempo abre o placar através de uma
rápida infiltração, após combinação com Cruyff. Este, aos 20 minutos marca 2 x 0
com um tiro rasteiro e indefensável, definindo o jogo.
Minutos
antes do término, o desespero final: o zagueiro palmeirense Luiz Pereira quase
parte Neeskens em dois, sendo expulso, acabando por manchar sua reputação e suas
excelentes atuações nos jogos anteriores, proporcionando um "papelão", inclusive
discutindo com a torcida adversária quando caminhava rumo ao chuveiro.
E o técnico Zagalo, que menosprezava o "futebol alegrinho" jogado por uma das
melhores seleções de todos os tempos, declarando estar preocupado unicamente com
a final contra a Alemanha Ocidental, e que "podia fazer um suco dessa imensa
laranja", já se achando finalista, teve que engolir suas palavras,
reconhecendo: "caímos diante de um futebol de primeira linha".
Entrevistado em 1994, quando a seleção brasileira enfrentaria novamente a seleção holandesa na Copa dos Estados Unidos, Zagallo, com uma letra "l" a mais em seu nome e na função de Coordenador Técnico, justificava suas palavras 20 anos depois dizendo que "precisava dar moral à minha equipe na época". Mas nossa seleção infelizmente não soube perder e foi sem a menor moral disputar o terceiro lugar com a boa equipe polonesa, perdendo por 1 a 0, num gol feito pelo atacante Lato, um carequinha esperto que aproveitou um dos muitos vazios deixados pelo lateral Marinho Chagas em suas subidas para o ataque.
HOLANDA: Jongbloed, Suurbier, Haan, Rijsbergen e Krol; Jansen, Van Hanegen e Neeskens(Israek): Rep, Cruyff e Rensenbrink(De Jong)
Técnico: Rinus Michels
BRASIL: Leão, Zé Maria, Luiz Pereira, Marinho Peres e Marinho Chagas; Paulo
César Carpegiani, Rivelino e Dirceu; Valdomiro, Jairzinho e Paulo César Lima
(Mirandinha)
Técnico: Mário Jorge Lobo Zagalo
Cartões amarelos: Zé Maria, Rep e Luiz Pereira
Expulsão: Luiz Pereira
JUIZ: Kurt Schender (Alemanha Ocidental)
Observação:
Brasil e Holanda já se enfrentaram
4 vezes em Copas. A primeira já falei acima, em 1974, perdemos pelo placar de 2
a 0, marcando Neeskens e Cruyff. Vinte anos depois enfrentamos os holandeses,
que penaram nesse jogo, pois Bebeto e Romário estavam endiabrados e cada um fez
um gol na emocionante vitória de 3 a 2. O lateral-esquerdo Branco fechou o
placar batendo uma falta - sofrida pelo próprio - num chute fortíssimo. Bergkamp
e Winters fizeram os gols holandeses.
Novo confronto na maldita Copa da França, em 1998, desta vez um empate em um
gol, marcando Ronaldo para o Brasil e Kluivert para a Holanda. Na decisão por
pênaltis, pois se tratava de uma semifinal, levamos a melhor: 4 a 2 para o
Brasil, com grande presença do goleiro Taffarel. E no nosso último confronto, no
Mundial da África do Sul em 2010, perdemos inexplicavelmente por 2 a 1, já nas
quartas de final. Descontou para nós o atacante santista Robinho.
E COMO FOI O BRASIL EM
1974?
O futebol brasileiro não tinha uma boa safra de jogadores. Dos craques do tri no
México só sobraram Piazza, Jairzinho, Paulo César, Rivelino e os
reservas
Leão e Zé Maria que foram promovidos a titulares, o lateral-esquerdo Marco
Antônio (que perdeu a posição para Marinho Chagas) mais o ponta-esquerda Edu, que
só jogou contra o Zaire.
A seleção brasileira de 1974 não era nem sombra do timaço de quatro anos antes, e sentimos muito a falta de Pelé, Tostão e Gérson, e a nossas esperanças estavam em Rivelino, Jairzinho e Paulo César Caju - que não tirava da cabeça o pré-contrato assinado antes da Copa com o Olimpique de Marselha, da França - mas esses craques também não estavam nas suas melhores formas.
Zagalo teve que buscar uma base no time do Palmeiras, que era o melhor do Brasil na ocasião, tendo sido campeão brasileiro em 1972 e 1973 e campeão paulista em 1974. Do plantel palmeirense foram convocados 6 jogadores: os titulares da seleção Leão, Luiz Pereira, Leivinha e os reservas Ademir da Guia, César Maluco e Alfredo Mostarda.
No primeiro jogo empatamos sem
gols contra a Iugoslávia, no segundo, contra a Escócia, o mesmo resultado. Para
chegar à segunda fase conseguimos vencer o país africano Zaire* por 3 a 0, sendo
que o terceiro gol, de Valdomiro, foi a poucos minutos do fim do jogo e num
frango incrível do goleiro Kazadi. Na segunda fase vencemos a Alemanha Oriental
com um gol de falta de Rivelino. Contra a Argentina a equipe melhorou um pouco e
Jairzinho e Rivelino marcaram contra um gol de Brindisi.
Contra a Holanda, perdemos por dois gols e o Brasil chegou onde mereceu.
Seguramente não tínhamos um time à altura de Holanda e
Alemanha, mesmo à altura da Polônia, que enfrentamos e perdemos pelo placar de
um gol na disputa pelo terceiro lugar, numa partida em que nossa seleção jogou
totalmente desmotivada, a única em que o grande Ademir da Guia jogou numa Copa
do Mundo. Zagallo não conseguiu fazer um bom trabalho nessa Copa e tivemos que
esperar 20 anos para ganhar um Mundial.
Da equipe do tri, Carlos Alberto Torres e Gérson estavam fora de forma.
Clodoaldo foi cortado às vésperas da Copa por contusão, embora tenha sido
substituído muito bem por Carpegiani. Tostão abandonara o futebol pelo problema
crônico na visão. Pelé já anunciara que 1970 fora sua última Copa. Não podíamos
esperar muito da nossa seleção na Alemanha. Rivelino esteve aquém do que se
esperava de um camisa 10 para comandar a Seleção Brasileira e Jairzinho ficou
longe do Furacão do Mundial do México.
O time-base foi: Leão, Zé Maria, Luiz Pereira, Marinho Perez e Marinho Chagas;
Carpegiani, Rivelino e Dirceu; Valdomiro, Jairzinho e Paulo César Caju.
Outros que aturaram: Nelinho, Alfredo Mostarda, Piazza, Ademir da Guia,
Leivinha, Mirandinha e Edu.
Não atuaram: Renato, Valdir Peres, Marco Antônio e César.
Os destaques brasileiros foram Leão, Luiz Pereira, Marinho Chagas e Paulo César
Carpegiani.
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*Zaire: outro país que disputou a Copa 1974 e foi extinto. |
*A República do Zaire surgiu em 1971 após guerras e rebeliões na República do Congo. Com a tomada do poder por parte do tenente-general Mobutu Sese Seko, à época comandante em chefe do Exército congolês, este autodeclarou-se presidente por cinco anos e em 1970 consolidou o seu poder ao ser eleito presidente sem oposição. Este nome e os novos símbolos nacionais mantiveram-se até 1996, quando em finais da Primeira Guerra do Congo Mobutu foi derrubado e fugiu do país. Laurent-Désiré Kabila assumiu a presidência e proclamou a República Democrática do Congo. O Zaire de 1974, que enfrentou nossa seleção e perdeu pelo placar de 3 x 0, gols de Rivelino, Jairzinho e Valdomiro, é a atual República Democrática do Congo. (Wikipedia) |