1950 - O ano que não terminou (para a Seleção Brasileira de futebol)

Falar da Copa de 1950 é falar do Maracanã, que fora construído para sediar o maior acontecimento esportivo no Brasil até os dias de hoje. Mas, é também falar de tristeza. Depois de mais de sessenta anos, cinco Mundiais conquistados, dois vices, os futebolistas brasileiros que acompanham a trajetória do Brasil nas Copas ainda fazem a sexagenária pergunta, que ainda não quer calar: 

"Por quê o Brasil perdeu a Copa do Mundo de 1950???"

Sim, pois jogávamos em casa, com o calor brasileiro de nossa torcida, tínhamos um time recheado dos maiores craques da época, fazíamos uma campanha excelente e nada poderia impedir nossa primeira afirmação mundial como o melhor em alguma coisa.

Nada? Os protagonistas desse drama contaram que não foi bem assim, embora todo time  da final já faleceu, Zizinho, Barbosa, Ademir e Jair (alguns de nossos heróis) não estão mais aqui para recordar o que eles recordaram até suas mortes e apenas uma pequena porcentagem das quase duzentas mil testemunhas oculares dessa história, entre público e imprensa, restou para tentar responder essa pergunta, o que é exatamente o objetivo desse site. Não, amigo internauta, eu não testemunhei. Na verdade nem meus pais se conheciam nesse ano, pois nasci numa fase áurea do nosso futebol, que já tinha exorcizado há tempos os fantasmas de 1950. O fascínio pelo futebol e pela mística desta Copa é que me levaram a viajar junto com você pelo tempo e tentar responder essa pergunta de alguma forma.

Há muita mística em torno da derrota de 1950, com o intuito de tentar justificá-la: a catimba e liderança de Obdulio Varela, carteado e bebedeira na concentração da seleção, influência política e clima de "já ganhou" junto à equipe, o técnico Flávio Costa perdendo o controle, a responsabilidade do tamanho do Maracanã jogada nas costas de nossos craques, enfim, a Copa de 1950 ainda é um caso mal resolvido dentro de nosso futebol. 

Mas entremos na máquina do tempo e configuremos o relógio para 1950. Agora é com você: dê o pontapé inicial na bola.