A INFLUÊNCIA DA INTERNET NA LÍNGUA PORTUGUESA
Certa noite assisti a uma reportagem sobre a (má) influência da linguagem que
os jovens da geração "Internet Banda Larga" estão utilizando nas
suas redações dos ensinos fundamental e médio e nos vestibulares. Estão
criando vícios lingüísticos que são usados nos MSNs e Orkuts da vida, cujos
criadores não têm a menor parcela de culpa na estória. Quem os usa, não se
policia, nem é policiado, na verdade influencia e é influenciado. Inclusive
sinto, num horizonte próximo, um novo tópico na matéria de Língua
Portuguesa: linguagem para Internet; não use nas redações. Ou use apenas no
Orkut.
Esse, caro leitor, é o impacto da necessidade do ganho de espaço e de tempo
que surge atualmente. Se no celular do seu filho adolescente tem espaço apenas
para digitar cem caracteres num torpedo, a tendência é escrever a palavra
"você" apenas com duas letras: "vc". O problema é que a
extrema necessidade deste ganho de tempo e espaço agride nossa língua, e
podemos ver, com a maior naturalidade, o jovem brasileiro escrever Br@sil. A
letra "a" virou "@rrob@", por uma simples questão de
modismo. A letra "a" morreu, e não avisaram ninguém onde e quando
foi o enterro!!!
Neologismo como "deletar" agora "deletam" o termo extinguir.
Não gostaria jamais de ver um jovem brasileiro escrever algo à mão e
perguntar para quem quer que esteja perto, onde está a tecla "Del"
para mudar de parágrafo para a outra linha.
É claro que agora podemos escrever algo para alguém e enviar uma carta em questão de segundos através dos programas de correio eletrônico na Internet, sem ter aquele "ritual" trabalhoso de escrever uma carta de próprio punho, dobrá-la e enfiá-la num envelope, fechar a carta com cola e selar a mesma numa ida à agência dos Correios mais próxima. O romantismo desse ritual terminou para facilitar sua vida, e até as cartas românticas que enviávamos para quem namorávamos também terminaram, mas até acredito que os últimos românticos sentem saudades desse tempo, pois era menos "robotizado". Algumas pessoas até perfumavam as folhas das cartas que enviavam para a pessoa amada para que essa pequena ação química mantivesse a chama do amor acesa, mas os grandes programadores da Internet ainda não chegaram ao nível de fazer algo semelhante com os emails.
Mesmo aqueles recados do "Post it", lembra? Aqueles papeizinhos amarelos retangulares, em bloquinhos, já com cola, que fixávamos em algum lugar visível, principalmente aos colegas de trabalho, para deixar algum recado. Num surto nostálgico uma vez eu usei um "Post it" para um colega de trabalho, fixei-o em seu monitor e ele reclamou em tom de ralha comigo - mandando um email - "Pra quê esse papelzinho??? Existe email, sabia???". Mas depois inventaram o programa "Post it" e esses bloquinhos agora também fazem parte do passado.
Certas
coisas ainda podemos - e devemos - fazer à moda tradicional, sem confundir com
a facilidade que a Informática nos proporciona. Entra, nesse expediente, a
consciente distinção das ações.
Privar um jovem de acessar a Internet é o pior castigo que ele pode sofrer hoje
em dia. Na minha infância cansei de ficar privado de assistir TV ou de sair
para jogar bola com os colegas por alguma peraltice que eu fizera. Mas prive
seus filhos ou netos de conversarem com os colegas pelo MSN Messenger ou entrar
no Orkut para enviar "scraps"*, que não haverá castigo mais duro,
pode ter toda a certeza. É um pouco menos pior do que privá-los de respirar.
*mensagem
de comunicação através do Orkut